quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009


Dando início às caricaturas de amigos, vemos a bela Evelin Resende da comunidade SP, tentando uma comunicação em bom portunhol com a telefonista venezuelana. Tudo normal se não fosse a deslizada linguistica da nossa amiga. Ligacão não é bem o termo que se usa para pedir um telefonema na lingua daquele país. rsrsrs. Ela entendeu, depois, o porquê....

Grande abraço, Eve!

sábado, 22 de novembro de 2008


Ao Mestre com carinho...

Cláudio Seto nos deixou esta semana. Tive o prazer enorme de trabalhar com o Mestre dos quadrinhos em 1987 nos Estúdios da FAMA Com. Discípulo de Ozamu Tezuka ,trouxe para o Brasil o estilo Mangá. Apesar de não me transformar num desenhista do estilo,aprendo muito com o Mestre e sofri muita influências de seu modo de esparramar as linhas sobre o papel.
Vai,Mestre, que a eternidade lhe seja seu legado.

Obrigado.

terça-feira, 12 de agosto de 2008


Soneto de Fidelidade


De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento


E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):


Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

(Até um dia meu anjo)

quinta-feira, 24 de julho de 2008


Palavras de molho
Pus de molho as letras
Uma mão cheia delas
Vários abecedários
E muitas salteadasVogais, bastantes.
Pu-las a refrescar em água friaUns cubos de gelo derretidos antes
Três graus bem medidosEstão a demolhar como o fiel amigo
Mas são outras que as do excesso salino
As razõesFicam-se elas por coisas da almaIndefinições
Demolho-as uns tantos dias
Mudo a águaAguardo que se entrelacem
Pês com ós, és e emes agarrados a ás
Tantas formas que nem sei imaginar
Se o soubera nem precisava demolhar
As letrasSoltariam sua presença
Em presençaEm contados, em histórias, em narrar
AssimFicam ali, já disse
Mas temo que seja demais deixá-las a medrar
Um dia ou maisTemo que rebentem em raízes
Deitem folhas, flores
Que saiam da água por aí em fila,Aos grupos
Palavras dependuradas em árvores
Um susto que eu nem saberia
Nem pela cabeça passariaO que elas iam por aí contar
Mais vale que as refresque um pouco
O tempo apenas de que venham
Como aos ovosAcima as que, eventualmente
Estejam chocasE se forem todasPois se forem
Nunca mais as usoNunca mais escrevo uma linha
Por enquanto, estão ali fresquinhas
Maria de Fátima
Texto vencedor da MA McManoel's

Sopa

Pôs na panela, a ferver, um bom pedaço de músculo. Com amor, minha filha, a comida quer que se a cozinhe com amor. As palavras da avó, sempre em seus ouvidos. Juntou, com amor, batatas, mandioquinhas e cenouras, uma cebola, uma fatia grossa de paio e outra de toucinho, um bocado de salsa e, claro, um fio de azeite. Só use Português, menina, que os outros não prestam. O cheiro da sopa fervente invadia a casa e a alma. Lembranças boas, saudades da infância, do colo quente e perfumado dos avós. Os pratos esperavamna mesa, preparados: no fundo, uma fatia de pão - uma côdea bem servida – e sobre ela, um pouco de vinho tinto. Por último, a sopa fumegante.
- José, vem jantar, menino! – soava bem chamar o filho pelo mesmo nome do avô.
Uma refeição simples, numa cozinha qualquer, aquecida pelo fogão e pela proximidade. Sentia-se, ali, a representante de gerações e gerações de mulheres, felizes por terem cozido suas sopas e conduzido suas famílias. Enviou um beijinho para o ar. A avó havia de recebê-lo!

Marcia Szajnbok

Segundo lugar no McManoel's


Roda-Viva

Três amigas, três sonhos, Maria, Margarida e Marlene. Maria andava sempre bem vestida, era orgulhosa de sua beleza. Já Margarida vivia entre as flores. Sabia dizer o aroma de todas de olhos fechados. Marlene era apaixonada pelos versos e, com um livro de poesias, sempre estava distraída a caminhar pelos parques da cidade. Maria casou com um Florista, Margarida com um Poeta e Marlene com um Alfaiate. As razões do amor nem sempre são evidentes. Maria invejava Marlene, que invejava Margarida, que invejava Maria. Na roda-viva elas bailavam ao sabor do destino.
Alian Moroz
Terceiro colocado do McManoel's

O Papa-Jornais

Na minha rua, existe uma personagem singular – um comedor de jornais. Devora todos os que encontra, quer os que são abandonados nas mesas do café, quer os que o vento empurra rua fora. Uma vez por outra, até já o vi debruçado pela abertura do Papelão.
Como seria de esperar, está sempre bem informado, quer das notícias do dia, quer das de véspera, que já todos esqueceram. Por tudo isso, é motivo de falatório na rua. Estranham-lhe a bizarria – dizem.
A mulher, que salga sempre a comida, inveja-lhe a memória. O rapaz, que sonha com pescarias no tanque do fontanário, diz que ele assusta os peixes com o ruído que faz a mastigar. As primas, que plantam jacintos nos charcos da calçada, criticam-lhe a voracidade. O oriental, de cujo livro saem, por vezes, pétalas coloridas, olha-o com desconfiança.
Todo este mal-estar desapareceu, esta manhã, inesperadamente. Quando saí à rua, para comprar pevides de melão, as conversas giravam à volta do Papa-jornais. Todos asseveravam que era um bom homem e gabavam, até, a utilidade da sua preferência gastronómica, para o asseio do bairro. E lamentavam-no com lágrimas nos olhos. Parece que houve uma distribuição maciça de jornais gratuitos e ele morreu de indigestão.

Joaquim Bispo


Texto vencedor da MA para o Restaurante do Mcanoel's